Virgil Abloh já disse lá no final de 2019 que o streetwear iria morrer na próxima década – essa em que começamos a viver; depois dessa previsão de um dos caras que definiu a moda na década passada, a gente fica se perguntando o que daria lugar ao streetwear, não é mesmo?! Bom, depois de acompanhar o mundo da moda por cerca de uma década, tenho um bom palpite do que poderia ser dito como a próxima tendência mundial de grande escala. Vem comigo.
Como a gente vive de ciclos e períodos nostálgicos, não acredito que exista algo verdadeiramente novo que possa surgir no universo da moda que dê lugar á tendência passada. Mas observando os desfiles, e principalmente a moda de rua, vejo que depois de uma década marcada por exageros de marcas de streetwear como Supreme, Bape e Champion, e ostentação simbólica de gigantes de luxo como Gucci e Balenciaga, finalmente teremos um recesso e voltaremos ao básico. O que isso significa?! Minimalismo. Normcore. “Desapego”.
Kanye West, um dos gênios da moda – e música – que também nos agraciou com suas criações na última década no mundo do streetwear, já previu esse movimento lá em 2015 em seu debute na passarela do New York Fashion Week com sua primeira coleção, a Yeezy Season 1, antes mesmo dos seus icônicos sneakers Yeezys aparecerem e fazer a cabeça dos fashionistas. E outras grandes marcas também vêm mostrando facetas do minimalismo em oposição ao hype do streetwear da logomania.
Aqui no Brasil a gente tem grandes nomes da moda que vêm apostando no movimento minimalista e normcore, como João Pimenta, Osklen e Handred. Esses nomes já fazem isso há algum tempo, e acredito que agora elas vão ter mais ainda significância com esse movimento.
Veja bem, aqui não há nada de novo, nem inesperado, mas apenas um movimento comum a ser esperado que se opõe ao anterior. É como aqueles momentos de introspecção e sossego que a gente procura após um Carnaval de muito fervo – quem nunca, não é mesmo?! Calmaria após a tempestade, sabe?!
O Streetwear não vai morrer e sumir do mapa de certa forma, ele vai se transformar em algo mais simples, despojado e com desapego do exagero e símbolos que marcaram essa época. Logos, cores vibrantes, exageros… tudo isso parece estar fadado a dar lugar ao clean e minimalista. É como se a gente visse um objeto quebrando a superfície rasa e dando lugar ao um núcleo de mármore limpo, opaco (não reluzente, não) cheio de significado. Sim, estou fazendo uma alusão artística porque enxergo a moda como arte, e se você não a encara dessa forma está dando mole. Não entendeu ainda? Vem cá que eu te mostro na prática, ou melhor, na rua.
Mas em relação ao novo-velho momento, vale a ressalva de um elemento que definitivamente vai continuar nessa década – e quiçá na próxima: os sneakers. Ah, mas você pode ter certeza que esses não sairão tão fácil do mundo da moda e dos pés dos fashionistas. O apego pelos tênis virou algo tão grandioso que seria impossível pensar em moda nos próximos anos sem eles. E listo os motivos: democráticos, confortáveis e rentáveis.
“Mas Fabiano, esse momento vai chegar agora, já?” – você pode estar se perguntando. Chegar ele já chegou, há tempos, mas não, não acredito que seja uma virada brusca e tão rápida quanto a troca de guarda-roupas do Novaiorquino quando muda a estação de Verão para Outono. Creio que esse movimento ainda demore um pouco para chegar e pegará com força. Mas eu tenha grande convicção que seja ele que dará nome à essa década – isso eu tenho.