No dia 17, a MISCI ocupa o Sambódromo da Marquês da Sapucaí, no calendário da 1ª edição do Rio Fashion Week, para apresentar a nova coleção “Escapismo Tropical”. A escolha do local reforça o momento da marca, que vem construindo uma narrativa contínua com o Rio de Janeiro desde o início do ano, com a abertura da primeira loja na cidade e campanhas fotografadas em solo carioca. Ao levar o desfile para a Sapucaí, a MISCI transforma um dos maiores símbolos da cultura brasileira em cenário para discutir o Brasil como território de respiro, onde festa, corpo e movimento não representam fuga, mas formas de reorganizar a vida e seguir em frente.
O desfile nasce da ideia de Escapismo Tropical. Em um mundo atravessado por conflitos, deslocamentos e instabilidades, o Brasil passa a ser imaginado, de fora, como um lugar de respiro, onde a vida parece acontecer em outra frequência, entre o sol, o corpo, a música e a festa. A coleção parte dessa tensão entre percepção e realidade, investigando a leveza tropical não como fuga, mas como construção cultural e forma de continuidade.
Nos últimos anos, o Rio de Janeiro se consolida como vitrine desse imaginário. Durante o carnaval, a cidade se transforma em um espaço suspenso que atrai fluxos culturais de todas as partes do mundo e projeta um estilo de vida tropical, solar e hedonista. É desse movimento que parte o desfile da MISCI: um êxodo cultural de quem vem de algum lugar do Brasil ou do mundo e encontra, pela primeira vez, a paisagem mítica do litoral.
Entre as referências que atravessam a coleção, surge também o imaginário do Rio de Janeiro dos anos 1970, especialmente o Pier de Ipanema e o movimento das Dunas do Barato, que transformaram a praia em um espaço de liberdade e experimentação durante o período da ditadura militar. A figura de Gal Costa, musa desse momento, aparece como uma das principais inspirações da coleção, ao lado de Maria Bethânia, refletindo uma estética marcada pela mistura de cores, atitude e liberdade de expressão. Esse recorte histórico se conecta à narrativa de “Escapismo Tropical”, investigando o tropicalismo brasileiro e sua potência cultural, enquanto incorpora também códigos do interior — origem de Airon Martin — e reforça o encontro entre diferentes paisagens, identidades e formas de viver o Brasil.
Na Sapucaí, essa narrativa ganha forma. Uma passarela azul atravessa a avenida como linha de horizonte, evocando o mar e a paisagem tropical que moldam a identidade da cidade. Ao fundo, a Apoteose enquadra a cena enquanto a bateria da Beija-Flor de Nilópolis pulsa como força vital da cultura popular brasileira — com 80 ritmistas, 2 mestres de bateria e 2 diretores, além dos intérpretes Jessica Martin e Lino, que gravaram uma chamada de inicio de Escola de Samba. Escapismo Tropical transforma o Sambódromo em um território simbólico onde moda, arquitetura e cultura popular se encontram.
Ao desfilar na Sapucaí, a MISCI também se aproxima do universo do carnaval de forma respeitosa e colaborativa. A coleção dialoga com a tradição das escolas de samba, incorporando referências à alfaiataria carnavalesca, reinterpretando blazers e ternos com novas proporções e materiais. Como parte desse movimento, a marca convida nomes ligados ao carnaval para acompanhar o desfile e participar do processo criativo, abrindo espaço para escuta, troca e aprendizado. Entre eles, a carnavalesca Annik Salmon, uma das poucas mulheres a ocupar esse lugar na história do carnaval. Bruno Oliveira, carnavalesco e figurinista, colabora no desenvolvimento de peças que conectam o universo da moda com o saber coletivo da Sapucaí.
A coleção também dá continuidade ao compromisso da MISCI com o fazer manual brasileiro. Em parceria com o Instituto do Bordado Filé de Alagoas, liderado pela artesã Petrúcia Lopes, a marca desenvolve novas peças que exploram a técnica tradicional do bordado filé em novas proporções e aplicações. O trabalho, iniciado na coleção anterior, evolui agora com novas escalas, cores e intervenções, reforçando a continuidade dessa colaboração e a valorização do saber artesanal.
Outro destaque é a parceria com o grupo Redeiras, formado por artesãs da Colônia de Pescadores São Pedro, no extremo sul do Brasil. Redes de pesca descartadas são restauradas e transformadas em tecidos e acessórios, criando peças que carregam memória, sustentabilidade e ressignificação de materiais. O gesto reforça a ideia de continuidade e transformação que atravessa toda a coleção.
A inovação material também aparece no desenvolvimento de um novo couro vegano feito de capim, criado em parceria com a Nova Kaeru e a beLEAF™. O biomaterial preserva a estrutura natural do capim, mantendo suas fibras, veios e irregularidades visíveis, transformando um material efêmero em superfície duradoura. O resultado é um novo tipo de couro vegetal que reforça o compromisso da MISCI com pesquisa têxtil e sustentabilidade.
O trabalho com técnicas artesanais continua em diferentes frentes: peças em crochê com placas de níquel e fio de juta natural, macramê em seda aplicado à alfaiataria, além de novos desenvolvimentos em joias de madeira esculpidas manualmente. A madeira Imbuia surge como matéria-prima central, ampliando o repertório de materiais naturais explorados pela marca.
Na alfaiataria, a linha Airon Martin ganha novas versões com maior fluidez, incorporando a seda às construções clássicas. O resultado são peças mais leves, que acompanham a ideia de movimento e clima tropical presentes na narrativa da coleção. O jeans também aparece em novas propostas por meio de processos de upcycling, onde peças existentes são reconstruídas e transformadas em novos modelos, reforçando o compromisso da marca com circularidade e reaproveitamento.
Entre as colaborações criativas, a MISCI apresenta parceria inédita com o designer de joias Alan Crocetti, radicado em Londres e convidado do Rio Fashion Week para a programação Business Sessions. O encontro com a MISCI resulta em três brincos exclusivos que traduzem a narrativa de “Escapismo Tropical” por meio de formas orgânicas e referências arquitetônicas e naturais brasileiras. As peças exploram releituras da Oca do Ibirapuera, de conchas e de uma pérola envolvida por prata fluida, evocando movimento e água. A colaboração aproxima o olhar experimental de Crocetti da pesquisa material da MISCI, criando joias que funcionam como extensões da coleção e reforçam a conexão entre design brasileiro, paisagem e gesto escultórico.
A colaboração com a bordadeira brasileira Wendy Cao marca o encontro entre a pesquisa da MISCI e a tradição do bordado de alta costura. Radicada em Paris, Wendy construiu sua trajetória em ateliês que atendem maisons como Dior, Valentino e Jean Paul Gaultier, além de colaborar com o Atelier Montex, do grupo Chanel, e com a Schiaparelli. Para o desfile no Rio, a artista desenvolve peças que exploram intervenções manuais sobre couro plissado, como a jaqueta que recebe bordados em fio azul aplicados diretamente na superfície, criando desenhos orgânicos que atravessam a peça e reforçam a ideia de gesto manual e imperfeição como linguagem. A colaboração também incorpora materiais brasileiros, como a palha de buriti, e técnicas de bordado aplicadas em seda e couro, conectando a precisão da alta costura ao universo artesanal e sensorial da coleção “Escapismo Tropical”.
A coleção também marca a continuação da colaboração com Lenny Niemeyer. A segunda parte da parceria apresenta novas estampas inspiradas no universo marítimo, além do desenvolvimento de peças de beachwear em tricot, trazendo inovação de textura e construção para as duas marcas.
As estampas ganham protagonismo com colaborações artísticas. O artista Gabriel Peixoto desenvolve três ilustrações inspiradas no cotidiano das praias cariocas, como carrinhos de milho, jogos de vôlei e cenas de praia. Já Isabel Moura cria duas estampas inéditas: uma com vista aérea do Rio de Janeiro e outra que mistura conchas, mar e o caju, símbolo recorrente da MISCI.
A coleção também apresenta novos desenvolvimentos têxteis com a Innovativ, responsável por grande parte dos tecidos exclusivos do desfile. Entre eles, novos jacquards com o ícone da marca e releituras de padrões clássicos. Entre os acessórios, a MISCI apresenta joias em madeira, placas metálicas com fios naturais, além de novas propostas de acessórios que exploram materiais brasileiros e processos manuais.
O desfile também apresenta colaborações com marcas parceiras: a Riachuelo reforça a continuidade da parceria com a MISCI, iniciada no ano passado, refletindo uma construção conjunta baseada na cadeia têxtil e em iniciativas com comunidades. Para esta edição, a marca viabiliza looks desenvolvidos a partir de sua nova fibra sustentável e exclusiva, criada em parceria com a Canatiba Têxtil. A colaboração também se estende ao gift do desfile para convidados selecionados, com um quadro colecionável confeccionado por bordadeiras de Timbaúba dos Batistas. Havaianas integra o desfile como patrocinadora com presença que vai da passarela ao backstage. A parceria resultou no desenvolvimento de cinco modelos exclusivos do chinelo Top — o clássico lançado em 1994 e que virou ícone justamente a partir de um “jeitinho brasileiro” de customização — assinados pela Misci especialmente para o momento. No backstage, os modelos também usarão os chinelos durante a preparação. A colaboração se estende ainda a gifts e pins desenvolvidos em conjunto pelas duas marcas para os convidados do evento. A CASIO VINTAGE aparece no styling com relógios que reforçam a construção visual da coleção: “A colaboração nasce de uma conexão genuína entre duas marcas que valorizam design autoral, identidade e narrativa”, reforça Fernando Fukuda, Head de Marketing da Casio Brasil.
A colaboração com a VEJA marca um novo movimento da MISCI em direção a um eixo global da moda contemporânea. Juntas, as marcas apresentam um sneaker exclusivo, reinterpretando o modelo Paulistana a partir do universo criativo da coleção. Desenvolvido no Brasil, o tênis combina couro de pirarucu, design assimétrico e matérias-primas ecológicas, traduzindo a paisagem brasileira em linguagem contemporânea. A inspiração nasce do encontro entre dois biomas, as dunas de Atins, nos Lençóis Maranhenses, e os rios da Amazônia, transformando território em forma e movimento.
Com trilha marcada pela bateria da Beija-Flor, “Escapismo Tropical” transforma o Sambódromo em uma experiência imersiva onde moda, cultura popular e paisagem urbana se encontram. Ao ocupar a Sapucaí, a MISCI amplia sua narrativa e reafirma seu compromisso com a construção de uma moda brasileira contemporânea, conectada à cultura, ao território e às formas coletivas de criação.










