Roupa tem Gênero? A relação da moda com a Identidade de Gênero – O Cara Fashion

Roupa tem Gênero? A relação da moda com a Identidade de Gênero

Muito tem se falado sobre a questão da Identidade de Gênero – ou a falta dela – no mundo da moda, onde estilistas e marcas têm pregado a questão da roupa não ter um gênero definido, podendo ser usada por homens e mulheres. A discussão é necessária, pois a questão da identidade de gênero vai além das preferências sexuais e relacionamentos, e como o foco aqui é moda, vamos falar um pouco sobre como isso vem sendo e precisa ser abordado.

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Nas últimas temporadas de moda vimos marcas como Prada, João Pimenta e Givenchy apresentarem nas suas coleções masculinas, modelos femininas, que não estava ali para apresentar a coleção para mulher, mas sim para mostrar que identificação é livre. No mundo fashion a mensagem foi muito bem recebida e compreendida, afinal estamos vivendo em um mundo novo, com mais liberdade, em que pessoas finalmente podem se libertar das algemas sociais, certo? Nem tanto. Mulher usando alfaiataria e calças é “ok”, mas e quando homem usa roupas que são socialmente feitas para elas, ou mesmo alguma cor mais chamativa, o discurso libertário de gênero não é tão aberto, muito pelo contrário, ele se fecha.

Givenchy | Spring 2015
Givenchy | Spring 2015
Prada | Spring 2015
Prada | Spring 2015
João Pimenta | Verão 2015
João Pimenta | Verão 2015

Outro caso mais recente, que aconteceu na semana passada, foi com o jovem ator Jaden Smith – filho dos atores Will e Jada Pinkett Smith – que postou uma foto no Instagram com a seguinte legenda “Went To TopShop To Buy Some Girl Clothes, I Mean “Clothes“, que em tradução livre ficaria “Fui a TopShop para comprar algumas roupas de garotas, quero dizer ‘roupas’“. O episódio foi significante, com opiniões controversas, mas de forte importância para a discussão gênero e moda, pois é importante vermos como pessoas que estão formando sua opinião já se mostram tão abertas a questões que não necessariamente precisariam ser “questões” na sociedade, mas sim um simples ato de escolher o que vestir, independente do público que é destinado.Recentemente, o estudante 17 anos, Morgan Ball, foi surpreendido pela direção de sua escola, quando no seu aniversário ele decidiu usar uma roupa especial, mais elaborada, pois ele queria realmente celebrar sua mais um ano de vida. No episódio, a direção de sua escola o mandou trocar de roupas porque ele estava “perturbando” e desrespeitando a ordem da escola pela escolha de sua roupa – vale lembrar que nas escolas públicas americanas não se usam uniformes, e o uso da roupa comum é livre. O adolescente se sentiu mal e incompreendido pela repressão, e junto com seus amigos criaram o movimento #ClothingHasNoGender.

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Morgan Ball
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Morgan Ball com a roupa que causou o episódio
Jaden Smith com seu vestido
Jaden Smith com seu vestido

 

Um passo a frente…

O posicionamento das marcas em relação ao assunto é muito importante, pois é através de delas que vemos o espelho dos acontecimentos do mundo fashion, e logo o introduzimos ao nosso mundo. A loja de departamentos Selfridges teve uma abordagem muito significativa em meio a essa discussão, ela decidiu abolir o conceito de roupas para homens e mulheres, deixando a loja com todas as suas roupas unissex. Segunda declaração feita ao Times, eles querem que seus clientes “embarquem em uma jornada em que eles possam comprar roupas e se vestir sem limitações e estereótipos. É um espaço em que roupas não trazem mais padrões de gênero embutidos nelas, permitindo que a moda trabalhe como uma expressão mais direta do “eu” de cada um”.

Selfridegs / Londres
Selfridegs / Londres

 

Mas por que e a quem isso tudo importa?

É uma questão complicada de entender, até porque só realmente entende quem passa por certas situações desconfortáveis e de repressão. Mas só a discussão e posicionamento de algumas marcas e pessoas da mídia já ajudam a quem passa por esses tipos de situação em relação a sua identidade de gênero. Por mais que isso assuste a alguns – por realmente não entender do que se trata – é importante ser aberto a esse tipo de discussão e procurar entender a situação em que o outro passa. E acima de tudo, respeitar, porque esse é princípio básico de convivência e direito irrefutável de cada um – ou ao menos deveria ser.

Para finalizar – como eu sou muito ligado a música – compartilho aqui essa da Karol Conká, que considero a maior rapper feminina da atualidade, com uma brasilidade incrível com letras fortes e significativas de assuntos importantes com esse que falei um pouco aqui. A música fala um pouco sobre preconceito e as críticas hipócritas da sociedade, e sobre ser quem você é, independente disso tudo.

Seja o que quiser Ser

Fabiano Gomes

Formado em Biblioteconomia e Ciência da Informação (UNIRIO) pegou seu conhecimento de pesquisador da informação e mergulhou de cabeça no Universo Fashion. Cansado de buscar informação relevante de Moda Masculina em blogs e sites brasileiros, decidiu criar o blog para suprir a própria necessidade e informação de moda para os homens pelo mundo em 2012. Carioca, hoje morando em São Paulo, dedica-se 24/7 ao O Cara Fashion além de trabalhar como Bibliotecário com Educação Infantil, Diversidade e Inclusão.

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